Vi Still Alice e escrevi sobre

13.3.15


O assunto é-me querido e sensível. Por isso mesmo, fui deixando o filme no topo da minha lista de filmes a ver por algum tempo. Durante alguns dias, lá esteve ele, ali, na lista, em primeiro lugar. Ainda assim, fui sempre escolhendo outras coisas para fazer. Não que não o quisesse ver – porque queria muito -, mas porque sabia que tinha de o guardar para um dia especial; para um dia de coração forte.

“Still Alice”. Acabou por ser a melhor forma que encontrei para passar um final de tarde recente. O pacote de lenços que reservei cuidadosamente ao meu lado acabou por não ser (muito) preciso e esse facto acabou por me agradar. O tema e a história não foram tratados em demasia, não houve um extremo; a emoção imposta foi suave, não rompeu cortinas nem quebrou limites.

Alzheimer. O nome é aquele que a vista estranha quando lê. “Alz” e depois ainda lhe juntam um invulgar “heimer”, mas nós lá o lemos. Alzheimer. Lê-se em todos os idiomas, provavelmente em muitas dessas casas que marcam uma pequenina luz nas paisagens das cidades que observamos à noite. Cada uma com uma história diferente mas provavelmente todas com a sentença traçada de que é o princípio do fim. Porque é isso mesmo: o princípio do fim.

Esquecer é um verbo que vamos usando com cuidado. Não porque seja caro usá-lo, mas sim porque é um processo assustador. Esquecer o rosto de alguém que nos é importante ou esquecer qual o nome de algo. Onde fica a tua casa? Onde deixaste o teu cão? Pode ser, definitivamente, assustador. Mais do que assustador!, é irrevogável. Alzheimer não volta atrás. Não passa com chá quente ao deitar. Não se remedeia com duas ou três colheres de xarope. Dói lentamente no coração. Principalmente, no coração de quem assiste.

É a nossa (provavelmente cada vez menor) incapacidade de encontrar uma solução para esta doença que prevalece quando falamos dela. Talvez daí eu ter gostado do tom levemente dramático que o filme desenha e não ter sentido falta de uma narrativa pesada de emoções. Não há motivo para isso. É um assunto para se levar com seriedade e atenção, mas sem exageros. Porque esquecer é algo muito sensível. É algo que apaga muita coisa; que leva milhares e milhares de pensamentos e de memórias. Leva pessoas. Sensações. Esquecer leva tudo.

Julianne Moore, claro, impecável! Aliás, só desta feita, arrecadou um Óscar de melhor actriz, um Globo de Ouro de melhor actriz em filme dramático, o Independent Spirit de melhor actriz, BATFA de melhor actriz, o AACTA International Award de melhor actriz, Critics Choice Award de melhor actriz, Satellite Award de melhor actriz de cinema, o Gotham Independent Film Award de melhor actriz e ainda o prémio do Sindicato de Actores para melhor actriz principal.

Para terminar, deixo-vos um excerto do filme: «Os meus ontens estão a desaparecer e os meus amanhãs são incertos. Então, para que eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente. Num amanhã próximo, esquecerei que estive aqui em frente a todos vocês e que fiz este discurso. Mas o simples facto de eu vir a esquecê-lo num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tenha importância.»

Caso se interessem pelo Bestseller, podem encontrá-lo aqui.

Daniela Carreira Peralta


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9 comentários

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  2. Ah nao conheço mas vou ver hoje à noite e depois dou te o meu feedback

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  3. Despertaste-me a curiosidade. Sem dúvida que vou ver o filme.
    Beijinhos


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  4. A Julianne é das minhas actrizes favoritas e teve um desempenho irrepreensível em "Still Alice". Já era altura de finalmente ganhar um Óscar!

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  5. Que excelente texto! Parabéns!

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